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Argumento x Repertório

Olá, pessoal! Este blog foi preparado com muito carinho para você que precisa ampliar o seu conhecimento de mundo. Uma das maneiras de organizar o repertório é pela fundamentação dos principais argumentos que podemos utilizar em nossas redações. Nesse caso, não se esqueça de fazer uma relação produtiva com a discussão temática. Neste blog, vocês encontrarão alguns exemplos. Confira até o final.

Equipe Correção Online ·
Argumento x Repertório
  • Falha no sistema educacional

Para esse argumento, sugiro refletir sobre o conceito de Educação Bancária proposto por Paulo Freire, filósofo e patrono da educação. Esse termo é uma metáfora central na obra de Freire, detalhada em seu livro mais famoso, Pedagogia do Oprimido(1970). Ele usou esse conceito para criticar o modelo tradicional de ensino, que funciona de forma muito parecida com um banco comercial. Para Freire, o conhecimento, no sistema de ensino tradicional, é depositado no estudante sem abrir espaço para uma formação crítica. Logo, seguindo as reflexões do autor, a educação bancária serve aos interesses dos opressores, pois mantém as pessoas alienadas e conformadas com a realidade, impedindo que elas desenvolvam a consciência crítica necessária para transformar a sociedade.

  • Desconsideração Familiar

Quando a sua discussão responsabilizar a família, você pode citar Talcott Parsons, um dos sociólogos norte-americanos mais influentes do século XX, que se tornou reconhecido devido à sua teoria do Estrutural-Funcionalismo. Parsons via a sociedade como um grande organismo sistêmico, em que cada instituição (família, escola, religião) atua como um “órgão” com uma função específica para manter a ordem e a estabilidade social. Em relação à família, a partir dos estudos de Parsons, podemos considerá-la como uma “Fábrica de personalidades”, visto que o meio familiar é o principal responsável por internalizar os valores sociais nos indivíduos durante a infância principalmente. Se essa instituição falhar em seu papel, compromete-se o pleno desenvolvimento do cidadão.

  • Invisibilidade social

Não se pode negar que a invisibilidade social amplifica muitos problemas. Para fundamentar esse tipo de discussão, sugiro mencionar a obra de Byung-Chul-Han, “Sociedade Paliativa: a dor hoje”. Nesse livro, o autor cita: “Vivemos em uma sociedade com crescente solidão e isolamento. Narcisismo é egoísmo se acentuam. Também a crescente concorrência, a solidariedade e a empatia cada vez menores individualizam as pessoas.” A partir dessa ótica, a invisibilidade social se torna um sintoma de uma sociedade anestesiada pela busca do sucesso individual. Em um cenário em que a concorrência impera e a dor do outro é ignorada, os indivíduos vulneráveis são empurrados para a margem da percepção pública. Desse modo, a falta de empatia apontada por Han funciona como uma barreira invisível que silencia demandas sociais urgentes e perpetua a marginalização, transformando o espaço público em um reflexo do egoísmo contemporâneo.

  • Negligência Governamental

Esse argumento é utilizado para desenvolver uma crítica a vários temas. Como sugestão de repertório, indico a vocês o livro “Anatomia do Estado” de Murray Rothbard. Na visão deste autor, o Estado não é uma instituição benevolente que visa o bem comum, mas sim uma estrutura que prioriza a manutenção do seu próprio poder e privilégios. Na perspectiva dessa obra, é desconstruído senso comum de que “o governo trabalha para o povo”. Ele argumenta que o Estado funciona de forma parasitária, utilizando o monopólio da força e a arrecadação de recursos para proteger os interesses da própria máquina pública e das elites burocráticas.

  • Raízes Históricas

Não se pode negar que muitos problemas sociais são reforçados pelas suas raízes históricas. Como um ótimo repertório para fundamentar essa discussão, sugiro as reflexões da historiadora brasileira Lilian Schwarcz. Para ela, os brasileiros andam perseguidos pelo passado e com a árdua tarefa de expulsar fantasmas que ainda assombram o contexto social. Desse modo, o pensamento de Schwarcz evidencia que a atual marginalização decertas parcelas da população é reflexo de feridas históricas que nunca foram totalmente curadas. Portanto, enquanto o Brasil não encarar e desconstruir esses “fantasmas”, as crises do presente continuarão sendo apenas a repetição crônica do passado.

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