Texto 1
Hoje, o Brasil tem cerca de 93,4 milhões de leitores — quem leu ao menos um livro nos três meses anteriores —, que correspondem a 47% da população. O número é oito pontos percentuais menor do que o registrado em 2007, quando os leitores eram 55% dos brasileiros, segundo a sexta edição da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, do Instituto Pró-Livro e Ministério da Cultura. A queda, no entanto, não é apenas percentual. O estudo também aponta para uma diminuição da capacidade de concentração e compreensão, acendendo um alerta sobre o avanço do chamado analfabetismo funcional. A condição, segundo a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), abrange pessoas que até reconhecem letras e números, mas não conseguem interpretar textos simples e usar a leitura e a escrita no cotidiano, o que afeta o desenvolvimento pessoal e a plena cidadania.
Fonte: Agência Senado
Texto 2
As desigualdades regionais têm um papel central na dificuldade de acesso à leitura. Regiões mais ricas, como o Sudeste, concentram o maior número de bibliotecas, livrarias e eventos literários, enquanto o Norte e o Nordeste enfrentam uma escassez de infraestruturas de incentivo à leitura. Ainda segundo dados do Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas (SNBP), mais de 30% dos municípios brasileiros não possuem uma biblioteca pública. Isso é especialmente grave em localidades pequenas e remotas, onde a população muitas vezes depende exclusivamente desses espaços para acessar livros.
Além disso, o preço dos livros é um obstáculo para muitas famílias. De acordo com uma pesquisa de 2020 da Câmara Brasileira do Livro (CBL), o preço médio de um livro no Brasil gira em torno de R$ 40 a R$ 60, o que torna a aquisição de livros difícil para a população de baixa renda, especialmente em um contexto de crise econômica e alta inflação. Essa situação contrasta com a realidade de países como Argentina, onde políticas de incentivo à leitura permitem acesso mais barato a livros, e com países da Europa, onde há subsídios e incentivo à produção literária.
Disponível em: https://elos.sites.uepg.br/posts/acesso-a-leitura-no-brasil-uma-jornada-entre-desafios-e-oportunidades/.
Texto 3
Quem nunca estipulou como meta ler mais? Uma atividade com múltiplas funções, ler pode ser uma forma de entretenimento, um meio de informação ou um caminho simples e acessível para adquirir conhecimento. Independente da motivação, o processo de leitura também é capaz de auxiliar no desenvolvimento de habilidades, contribuindo, inclusive, para a saúde mental. De acordo com o professor da Escola de Ciências da Saúde e da Vida Augusto Buchweitz, ler pode atuar como um exercício que estimula o cérebro.
O hábito de leitura tem relação comprovada com uma melhor qualidade de saúde mental. A leitura, por envolver imaginação, mentalização, antecipação e aprendizagem (sempre aprendemos, ao menos, palavras novas), funciona como um ‘exercício’ para o cérebro humano. Apesar de não ser um músculo, o nosso cérebro precisa ser estimulado, destaca o pesquisador.
Disponível em:https://portal.pucrs.br/noticias/saude/habito-de-leitura/.
Texto 4
De fato, ler não é tão simples. Ler não é uma atividade passiva, estática, mas dinâmica. Do mesmo modo que uma biblioteca não é um mero depósito silencioso de livros. Na leitura há o cruzamento de dois mundos e a possibilidade de se perceber as coisas através de outro ponto de vista. Um livro é um mundo: o mundo de leituras de seu autor dialogando com o mundo do leitor. Por isso, a leitura nunca será igual para dois leitores. Este processo é, sobretudo, civilizador. Como afirmou Mario Vargas Llosa ao receber o prêmio Nobel de Literatura em 2010: “um mundo sem literatura se transformaria num mundo sem desejos, sem ideais, sem desobediência, um mundo de autômatos privados daquilo que torna humano um ser humano: a capacidade de sair de si mesmo e de se transformar em outro, em outros, modelados pela argila dos nossos sonhos”.
Disponível em:https://g1.globo.com/politica/blog/matheus-leitao/post/2019/01/06/retratos-da-leitura-no-brasil.ghtml.

Repertórios Socioculturais que podem ser utilizados em sua redação sobre esse tema:
- Pierre Bourdieu – Capital cultural (Sociologia) Bourdieu defende que o acesso à cultura (como livros, educação e hábitos de leitura) está diretamente ligado à classe social. Isso significa que pessoas de contextos mais favorecidos tendem a ter mais contato com a leitura desde cedo, o que amplia desigualdades educacionais.
- Neuroplasticidade – Biologia A neuroplasticidade é a capacidade do cérebro de se modificar a partir de estímulos. A leitura, nesse sentido, funciona como um exercício mental que fortalece habilidades cognitivas, como memória, concentração e interpretação.
- Paulo Freire - (Citação) Para Paulo Freire, em sua famosa citação “a leitura do mundo precede a leitura da palavra”, a leitura vai além das palavras: ela permite compreender a realidade e desenvolver consciência crítica. Assim, ler é também uma forma de entender e transformar o mundo.
- Escritores da Liberdade (Filme) Retrata uma professora que incentiva jovens de contextos vulneráveis a ler e escrever sobre suas próprias vivências, evidenciando o papel da leitura na inclusão social e no protagonismo juvenil.
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